O Dia Internacional da Mulher voltou a reunir mobilizações em diferentes partes do país no último domingo (8). Em Brasília, centenas de pessoas participaram de um ato público que colocou em evidência reivindicações históricas relacionadas aos direitos das mulheres, como o combate à violência de gênero, a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho e a ampliação de políticas de proteção.


A data, celebrada mundialmente em 8 de março, tem origem em movimentos organizados por trabalhadoras no início do século XX. Greves, marchas e protestos realizados principalmente nos Estados Unidos e na Europa denunciaram jornadas exaustivas, baixos salários e a exclusão feminina da vida política. O reconhecimento oficial da data veio em 1975, quando a Organização das Nações Unidas instituiu o Dia Internacional da Mulher como marco global de reflexão e mobilização.


Embora muitas conquistas tenham sido alcançadas ao longo das últimas décadas — como o direito ao voto e o avanço da presença feminina em espaços de decisão —, a desigualdade de gênero ainda se manifesta em diversas áreas da sociedade. A violência contra mulheres continua sendo um dos principais desafios.


No Brasil, os números recentes indicam a dimensão do problema. Em 2025, foram registrados 1.568 assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero, o que representa uma média aproximada de quatro casos por dia. No Distrito Federal, o total chegou a 33 ocorrências no mesmo período, superando o número contabilizado no ano anterior, quando foram registradas 23 mortes.


O aumento desses índices tem reforçado a necessidade de ampliar ações preventivas, fortalecer a rede de atendimento às vítimas e promover políticas públicas que enfrentem as raízes da violência.


Durante o ato realizado na capital federal, movimentos sociais, organizações feministas e representantes de diferentes categorias profissionais levaram suas pautas ao espaço público. A mobilização ocorreu em frente à Funarte e integrou a agenda anual do Dia Internacional da Luta das Mulheres, iniciativa que reúne coletivos desde 2017.


Entre as participantes estava a professora Vilmara Pereira do Carmo, integrante da Marcha Mundial das Mulheres. Para ela, os protestos seguem sendo fundamentais para manter a discussão sobre os direitos femininos na agenda pública. A educadora defende que o enfrentamento ao feminicídio passa por medidas estruturais, incluindo educação voltada à igualdade de gênero e a ampliação de serviços de acolhimento para mulheres em situação de violência.


A mobilização também contou com a presença de profissionais da área da saúde. A enfermeira Marcela Vilarim de Maria destacou que grande parte da força de trabalho da enfermagem é composta por mulheres e que muitas delas enfrentam situações de agressão no exercício da profissão. Segundo ela, relatos de violência verbal e até física contra profissionais de saúde têm sido frequentes, o que reforça a necessidade de melhores condições de trabalho e maior valorização da categoria.


Além das reivindicações específicas de cada grupo, a manifestação buscou reforçar a importância do 8 de março como um momento de reflexão coletiva. Para as participantes, a data representa não apenas a celebração das conquistas já alcançadas, mas também a lembrança de que a busca por igualdade, respeito e segurança ainda exige mobilização constante.


Assim, mais de um século depois das primeiras marchas que deram origem ao movimento, o Dia Internacional da Mulher segue sendo marcado pela ocupação das ruas e pelo debate público sobre os desafios enfrentados pelas mulheres na sociedade contemporânea.






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