Caso Master: veja quem foi preso além de Vorcaro em operação da PF

 Operação deflagrada nesta quarta-feira (4/3) foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça

Fraga Alves @fdefraga/ Especial Metrópoles
Fachada da sede da Polícia Federal, na Lapa, zona oeste de São Paulo, onde Daniel Vorcaro foi preso preventivamente. A detenção ocorre na terceira fase da Operação Compliance Zero, e poucos dias antes da data prevista para a oitiva do empresário na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal - Metrópoles
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A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4/3) pela Polícia Federal, cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão. A investigação apura suspeitas de fraude envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ocorreram nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

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Prisão de Daniel Vorcaro ocorre na terceira fase da Operação Compliance Zero
Vorcaro foi preso após a PF apontar indícios de que ele teria atuado para interferir nas investigações sobre supostas fraudes financeiras ligadas ao Banco Master
Vorcaro teria montado uma estrutura paralela que funcionaria como uma “milícia privada”, segundo a PF.
Análises feitas em celulares apreendidos revelaram conversas que indicariam a articulação de ações contra adversários de Vorcaro
PF deflagrou nova etapa da operação Compliance Zero

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Segundo a decisão, há indícios da existência de uma estrutura paralela ligada ao banqueiro, usada para monitorar adversários e coletar informações consideradas estratégicas para o grupo investigado. O núcleo informal era conhecido como “A Turma”.

Além de Daniel Vorcaro, que foi preso nesta quarta, outros três nomes apontados no esquema também tiveram a prisão preventiva decretada. São eles:

  • Fabiano Campos Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro;
  • Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado;
  • Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Vorcaro.

A Justiça também determinou medidas cautelares, como o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens, contra quatro investigados. São eles:

  • Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, atuava informalmente em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da própria autarquia com a qual mantinha vínculo funcional;
  • Belline Santana, servidora do Banco Central. Atuava como uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro em relação a temas da autarquia.
  • Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal. Atuava na formalização documental de instrumento contratual utilizado no contexto das tratativas mantidas entre integrantes do grupo investigado;
  • Ana Claúdia Queiroz de Paiva, sócia da empresa sócia da empresa Super Empreendimentos. Participava da realização e gestão de transferências financeiras destinadas a custear atividades desempenhadas por integrantes da milícia privada.

Operação

A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. 

Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

A detenção pela corporação ocorreu na casa de Vorcaro, em São Paulo. Havia um mandado de prisão preventiva contra o dono do Banco Master. Ele já estaria na Superintendência da PF, na capital paulista.

CPI do Crime Organizado

A prisão de Vorcaro ocorre no mesmo dia em que o banqueiro deveria prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. 

O colegiado havia convocado o dono do Banco Master para prestar esclarecimentos sobre o envolvimento da instituição financeira em esquemas financeiros e gestão fraudulenta.

A defesa de Vorcaro informou ao Metrópoles que não se manifestará no momento.

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