Síndrome das pernas inquietas pode aumentar o risco de Parkinson





A síndrome das pernas inquietas, ou doença de Willis-Ekbom, é uma condição neurológica que provoca um forte impulso de mover as pernas, especialmente em repouso, como na hora de dormir. A condição desconfortável, porém, acaba de ser relacionada a algo muito mais grave: pesquisadores coreanos encontraram evidências que associam a síndrome ao Parkinson.


O estudo publicado na segunda-feira (6/10) na JAMA Network Open avaliou dados da Korean National Health Insurance Service entre 2002 e 2019. A avaliação descobriu que pessoas com síndrome das pernas inquietas (RLS) apresentaram risco 60% maior de desenvolver a doença de Parkinson em comparação a pessoas sem a condição. A pesquisa, conduzida por três hospitais de pesquisa na Coreia do Sul, analisou 9.919 pacientes com RLS e mais 9.919 sem o quadro.





O que é o Parkinson?



  • O Parkinson é uma condição crônica e progressiva causada pela neurodegeneração das células do cérebro.

  • Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas no mundo tenham Parkinson.

  • A ocorrência é mais comum entre idosos com mais de 65 anos, mas também pode se manifestar em outras idades.

  • A doença atinge principalmente as funções motoras, causando sintomas como: lentidão dos movimentos, rigidez muscular e tremores.

  • Os pacientes também podem ter: diminuição do olfato, alterações do sono, mudanças de humor, incontinência ou urgência urinária, dor no corpo e fadiga.

  • Cerca de 30% das pessoas que vivem com Parkinson desenvolvem demência por associação.




A relação das pernas inquietas com o Parkinson


Os pacientes com RLS foram divididos em dois grupos: os que receberam agonistas de dopamina (tratamento comum para as pernas inquietas) e os que não tomaram a medicação.


A ideia era verificar se o tratamento com dopamina influenciava o risco de Parkinson, já que ambas as condições envolvem alterações nos mesmos mecanismos cerebrais. O resultado mostrou que, ao longo dos 17 anos de acompanhamento, 1,6% dos pacientes com RLS desenvolveram Parkinson, contra 1% das pessoas sem a inquietude nas pernas, indicando que o risco é 60% maior.


Entre os pacientes com RLS, quem recebeu medicação com agonistas de dopamina teve apenas 0,5% de incidência, enquanto os que não receberam tiveram 2,1%, sugerindo que o tratamento pode estar relacionado a um risco menor ou a um atraso no aparecimento dos sintomas.


Os pesquisadores ressaltam que o achado não prova que os agonistas de dopamina previnem o Parkinson. Contudo, a análise indica que existe uma ligação entre os movimentos excessivos das pernas e a doença, que está relacionada à dopamina e a outros fatores ainda pouco compreendidos. Os resultados abrem caminho para futuras pesquisas sobre os mecanismos dessas condições.


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Parkinson é uma doença neurológica caracterizada pela degeneração progressiva dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina

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Esse processo degenerativo das células nervosas pode afetar diferentes partes do cérebro e, como consequência, gerar sintomas como tremores involuntários, perda da coordenação motora e rigidez muscular

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Outros sintomas da doença são lentidão, contração muscular, movimentos involuntários e instabilidade da postura

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Em casos avançados, a doença também impede a produção de acetilcolina, neurotransmissor que regula a memória, aprendizado e o sono

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), apesar de a doença ser conhecida por acometer pessoas idosas, cerca de 10% a 15% dos pacientes diagnosticados têm menos de 50 anos

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Não se sabe ao certo o que causa o Parkinson, mas, quando ocorre em jovens, é comum que tenha relação genética. Neste caso, os sintomas progridem mais lentamente, e há uma maior preservação cognitiva e de expectativa de vida

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O Parkinson não tem cura, mas o tratamento pode diminuir a progressão dos sintomas e ajudar na qualidade de vida. Além de remédio, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar. Em alguns casos, há possibilidade de cirurgia no cérebro

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O que são as pernas inquietas


A RLS tinge cerca de 5% a 8% da população, sendo mais comum em mulheres, especialmente aquelas com múltiplas gestações, e em pessoas acima de 40 anos.


“O desconforto melhora ao se movimentar, mas piora no repouso, sobretudo à noite, o que pode prejudicar bastante o sono e, em casos mais graves, comprometer a vida do paciente”, afirma o reumatologista Marcelo Cruz Rezende, membro da Comissão de Dor da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR).

Na maioria dos casos, a queixa é tão característica que a história clínica já é suficiente para o diagnóstico. O tratamento inicial envolve identificar condições relacionadas, como deficiência de ferro, diabetes, artrite ou uso de antidepressivos, e tratá-las para aliviar os sintomas.


A cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, explica que há pacientes cujo distúrbio persiste mesmo após o tratamento das condições relacionadas. Medidas como banho quente, massagens, calor, bolsa de gelo, analgésicos, exercícios físicos e eliminação da cafeína podem ajudar.


“Quando as medidas não são suficientes, a condição pode ser tratada com medicamentos que aumentam a dopamina no cérebro, drogas que afetam canais de cálcio, opióides e benzodiazepínicos”, conclui a cirurgiã.


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