Por Damião Miguel
O cenário atual da disputa para deputado distrital revela um verdadeiro festival de pesquisas encomendadas, no qual muitos eleitores e militantes depositam uma fé cega. Esses números, frequentemente fabricados no "forno eleitoral", vêm desenhando um panorama artificial que flutua ao sabor dos interesses de uma parcela de candidatos, servindo mais como ferramenta de incentivo e manipulação de grupos políticos do que como termômetro real das ruas.
O impacto psicológico desse bombardeio de dados é evidente: enquanto alguns concorrentes e seus aliados se deixam levar pelo comodismo de lideranças ilusórias, outros são tomados por um desespero sepulcral ao encararem estatísticas desfavoráveis e de procedência duvidosa.
A grande verdade é que a realidade das urnas costuma cobrar um preço alto daqueles que preferem se guiar por gráficos de conveniência a gastar a sola do sapato na busca pelo voto. Se houvesse um conselho de ouro para dar a toda essa turma que se deslumbra com as porcentagens encomendadas, seria o de esquecer os números de momento e intensificar o ritmo de trabalho nas bases.
A volatilidade do eleitorado e os bastidores dessas amostragens sob medida mostram que o excesso de confiança é o caminho mais rápido para o fracasso. Quem não quiser ser engolido por uma surpresa avassaladora na abertura das urnas precisa entender, o quanto antes, que eleição só se ganha quando o último voto é computado.

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