Estudo liga menopausa a mudanças no cérebro, memória e saúde mental





A menopausa pode estar associada a mudanças importantes na estrutura do cérebro e também a sintomas emocionais e alterações no sono.


É o que indica um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que analisou dados de quase 125 mil mulheres e identificou redução de massa cinzenta em regiões cerebrais ligadas à memória, emoções e processamento de informações.


Os resultados foram publicados na revista Psychological Medicine em 27 de janeiro e trazem novos dados sobre essa fase da vida feminina, ainda pouco explorada quando se trata da saúde cerebral.




Menopausa



  • A menopausa marca a fase da vida em que a menstruação da mulher cessa permanentemente devido à queda dos níveis hormonais.

  • Ocorre mais frequentemente entre os 45 e os 55 anos e costuma ser acompanhada por sintomas como ondas de calor, alterações de humor e distúrbios do sono.

  • Para ajudar a controlar os sintomas relacionados à menopausa, principalmente a depressão e os problemas de sono, muitas mulheres recebem prescrição de terapia de reposição hormonal (TRH).




Alterações no cérebro após a menopausa


Para investigar esses efeitos, os pesquisadores utilizaram dados do UK Biobank, um grande banco de informações de saúde do Reino Unido. As participantes foram divididas entre mulheres antes da menopausa, mulheres após a menopausa sem terapia hormonal e mulheres após a menopausa que fizeram terapia de reposição hormonal.


Parte das voluntárias também realizou exames de ressonância magnética, o que permitiu observar mudanças na estrutura cerebral. As análises indicaram redução do volume de massa cinzenta independentemente do uso de terapia hormonal. Essa parte do cérebro é fundamental para memória, emoções, atenção e controle de movimentos.



Entre as áreas mais afetadas estão o hipocampo, essencial para a formação de memórias, o córtex entorrinal, importante na comunicação entre regiões cerebrais, e o córtex cingulado anterior, ligado à regulação emocional e à tomada de decisões.


Os autores explicam que essas mesmas regiões costumam ser afetadas em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer, o que levanta a hipótesede maior vulnerabilidade no futuro, embora a relação ainda precise ser investigada com mais profundidade.


Saúde mental, sono e papel da reposição hormonal


O estudo também identificou maior procura por atendimento médico por ansiedade, depressão e nervosismo entre mulheres que já passaram pela menopausa.


Questionários indicaram níveis mais altos de sintomas depressivos e maior uso de antidepressivos nesse grupo.


Problemas de sono apareceram com frequência. Muitas relataram insônia, redução do tempo total de descanso e cansaço persistente. Mulheres que utilizavam terapia hormonal relataram mais fadiga, embora o tempo de sono não fosse necessariamente menor.


A terapia de reposição hormonal não mostrou efeito na prevenção das alterações cerebrais ou dos sintomas emocionais, mas esteve associada a uma desaceleração no tempo de reação, que tende a ficar mais lento com o envelhecimento. A memória, por outro lado, não apresentou diferenças relevantes entre os grupos analisados.


Para a pesquisadora e autora do estudo Christelle Langley, do Departamento de Psiquiatria de Cambridge, a menopausa pode representar uma fase de mudanças significativas e exige atenção integral à saúde.


“Um estilo de vida saudável, com exercícios, atividades físicas e uma alimentação equilibrada, por exemplo, é particularmente importante durante esse período para ajudar a atenuar alguns dos seus efeitos”, diz.





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