Michelle revela confusão mental de Bolsonaro e critica demora da PF em atendimento

 Ex-presidente teria acordado desorientado e sob efeito de remédios pesados

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em coletiva de imprensa. (Foto: Reprodução).

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro detalhou, em coletiva de imprensa, o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) após o político deixar o hospital DF Star, em Brasília, nesta quarta-feira (7), onde realizou exames, após sofrer uma queda e bater a cabeça na terça-feira (6).

De acordo com o relato, o ex-presidente apresentou confusão mental e dificuldade de comunicação logo após o ocorrido.

“Quando eu cheguei, ele não conseguia falar, não se lembrava do que tinha acontecido”, afirmou.

A presidente do PL Mulher disse que Bolsonaro não soube precisar se a queda ocorreu durante a madrugada ou já ao amanhecer, levantando a hipótese de que ele possa ter se levantado sonolento para ir ao banheiro e tropeçado em um degrau existente no local.

Michelle destacou que o marido faz uso de medicações fortes, que provocam sonolência intensa e precisa ser administrado de forma fracionada.

“Se ele tomar um comprimido inteiro, ele fica o dia todo deitado, sem conseguir interagir”, explicou. Segundo ela, os efeitos da medicação, somados à idade e às comorbidades, aumentam o risco de quedas e tonturas, especialmente pela manhã. A ex-primeira-dama também lembrou o histórico clínico de Bolsonaro desde o atentado sofrido em 2018:

“Ele é uma pessoa que não gosta de incomodar. Eu sou casada com ele há 18 anos. Eu sei que ele não gosta de incomodar em relação à alimentação. Ele aprendeu a viver do jeito dele. Então a gente tem esse cuidado porque ele tem 70 anos. Ele já sofreu, ele já passou por 9 intervenções cirúrgicas. Ele tem várias comorbidades. Então a gente sabe que a medicação também é uma medicação que tem fragilizado ele. Ele tem essas tonturas”.

Outro ponto enfatizado foi a divergência de informações sobre o horário em que o quarto de Bolsonaro teria sido aberto para atendimento após o acidente.

Segundo Michelle, peritos indicaram no relatório que o primeiro atendimento ocorreu por volta das 8h49, enquanto um delegado teria informado que a porta foi aberta às 7h20.

“Eu pedi o relatório para a Polícia Federal. Eu gostaria de saber exatamente o momento que foi aberto o quarto dele. E a gente sabe que o quarto dele é aberto às 8 horas da manhã para ele tomar a primeira medicação do dia. Eu converso com o perito, o perito coloca no relatório que ele fez o primeiro pacote por volta de 8h49min. Então aí ele já perdeu 40 minutos. Então ele teve que esperar o médico da superintendência chegar 8h40min. Eu converso com o delegado, ele me fala que abriu o quarto dele 7h20min da manhã. Então não está batendo. Então a gente vê que pela Lei de Execução Penal realmente não tem uma agilidade para atendê-lo em uma emergência”, criticou.

Michelle disse ainda que o ex-presidente está emocionalmente abalado, tanto pelo quadro de saúde quanto pelo uso prolongado de medicação. A esposa de Jair Bolsonaro relatou restrições às visitas, afirmando que, em um dos dias, teve direito a apenas 30 minutos com o marido e que, em outra ocasião, foi impedida de entrar, mesmo estando no hospital para acompanhá-lo durante os exames.

Por fim, a ex-primeira-dama defendeu que a equipe jurídica reforçará o pedido relacionado à situação de Bolsonaro, alegando que não haveria justificativa para mantê-lo preso nas condições atuais de saúde.

Michelle comparou o caso ao do ex-presidente Fernando Collor, que teve benefício concedido por motivos médicos, e afirmou que Bolsonaro, diante de suas comorbidades, deveria contar com acompanhamento médico e de enfermagem 24 horas.

“Eu quero cuidar do meu marido”, concluiu.

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