
O mel é um dos poucos alimentos conhecidos por atravessar anos, e até século sem estragar. Esse fenômeno levanta curiosidade e também dúvidas entre consumidores: afinal, por que o mel não se danifica como acontece com outros alimentos?
A resposta está em sua própria composição química. Segundo a nutricionista Thays Pomini, que atende em São Paulo, o mel possui características naturais que dificultam a sobrevivência de micro-organismos.
“O mel tem pouquíssima água disponível e uma concentração muito alta de açúcares, o que cria um ambiente hostil para micro-organismos. Além disso, seu pH é ácido e ele contém compostos com ação antimicrobiana. Ou seja, a própria composição funciona como um conservante natural”, explica.
Esses fatores combinados fazem com que bactérias e fungos praticamente não consigam se multiplicar dentro do alimento, o que pode ajudar a explicar o motivo do mel não estragar da mesma forma que outros produtos.
Composição química é o segredo da conservação
De acordo com a nutricionista Yasmin Carvalho Mesquita, do Hospital Santa Paula, da Rede Américas, o segredo da durabilidade do mel está em uma soma de fatores químicos.
“O mel possui baixa quantidade de água e alta concentração de açúcares, o que dificulta a sobrevivência de micro-organismos. Além disso, tem pH ácido e compostos antimicrobianos naturais, como o peróxido de hidrogênio”, afirma.
Essa combinação cria um ambiente praticamente inviável para o crescimento de bactérias e fungos. É por isso que alimentos mais úmidos costumam estragar rapidamente, enquanto o mel pode permanecer estável por longos períodos.

Mel não tem “data de validade”, mas pode perder propriedades
Apesar da fama de alimento “eterno”, especialistas alertam que isso não significa que o mel permaneça exatamente igual ao longo dos anos.
Thays Pomini reforça que, com o tempo, podem ocorrer pequenas perdas de compostos bioativos, principalmente se o produto for armazenado de maneira inadequada.
“O mel bem armazenado pode ser consumido por anos com segurança, mas seu valor funcional pode diminuir lentamente”, afirma a nutricionista.
A exposição ao calor e à luz, por exemplo, pode reduzir a quantidade de enzimas e antioxidantes presentes no alimento.
Cristalização do mel é natural
Outro fenômeno comum que gera dúvidas entre consumidores é a cristalização do mel. Quando fica mais espesso ou com pequenos cristais, muitas pessoas acreditam que ele estragou. Mas isso não é verdade.
“A cristalização é um processo natural. Ela acontece porque a glicose presente no mel tende a formar cristais ao longo do tempo”, explica Yasmin Mesquita.
Esse processo pode ocorrer mais rapidamente dependendo da variedade do mel e da temperatura de armazenamento. Mesmo cristalizado, o produto continua próprio para consumo.
Caso a pessoa prefira a textura líquida, basta aquecer levemente em banho-maria, evitando temperaturas altas para não prejudicar os nutrientes.
Como armazenar
Para preservar melhor as características do alimento, alguns cuidados simples fazem diferença.
O ideal é manter o mel:
- Bem fechado;
- Em local seco e fresco;
- Protegido da luz;
- Longe de fontes de calor, como fogões.
Deixar o pote aberto ou em ambientes úmidos pode alterar o sabor e o aroma do produto.
Quando o mel pode estragar
Embora seja muito estável, o mel não é totalmente imune à contaminação. Se houver entrada de água, por exemplo, pode ocorrer fermentação causada por leveduras.
Outro cuidado importante envolve o consumo por crianças pequenas. O mel não deve ser oferecido para bebês menores de um ano por causa do risco de botulismo infantil.
Fora essa recomendação, quando bem armazenado, o alimento continua sendo seguro e pode durar por muito tempo, o que ajuda a explicar por que o mel não vence como a maioria dos produtos da despensa.
Source link
https://chumbogrossodf.com.br/nutricionista-explica-por-que-alimento-dura-anos/?fsp_sid=282400
0 Comentários