por que há mais diagnósticos em menores hoje?





A criança Alice Maciel, de 4 anos, foi encontrada com vida após passar três dias desaparecida em uma área de mata na zona rural de Jeceaba, em Minas Gerais. Autista não verbal, a menina tinha sumido na última quinta-feira (29/1), no sítio dos avós.


Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, Alice foi encontrada por voluntários que participavam das buscas. A corporação informou que a criança apresentava sinais vitais preservados e só estava com marcas de capim pelo corpo. Ela foi encaminhada ao hospital para avaliação médica.


Vídeos que circulam nas redes sociais registraram o reencontro da menina com a mãe, momentos depois do resgate. As imagens sensibilizaram os internautas e colocou em questão o debate sobre os desafios enfrentados por crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias.



O que é o Transtorno do Espectro Autista?


O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que interfere na forma como a pessoa se comunica, se relaciona e percebe o mundo ao redor. As manifestações variam de caso para caso, por isso, há crianças com dificuldades leves de interação social e outras que precisam de mais apoio para atividades do dia a dia.


Na maioria dos casos, os primeiros sinais aparecem ainda na infância, mas o diagnóstico costuma ser fechado entre os 4 e os 6 anos, quando as diferenças no desenvolvimento ficam mais claras em comparação com outras crianças da mesma idade.


O autismo não é uma doença e, portanto, não tem cura. É uma condição permanente que deve ser assistida por especialistas de saúde desde cedo, com apoio de psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais.


Esse acompanhamento é muito importante porque pode ajudar no desenvolvimento da comunicação, da autonomia e das habilidades sociais da criança com TEA.


Além disso, a palavra “espectro” é usada porque o TEA reúne perfis muito diferentes entre si. Não existe um único tipo de autismo, mas uma variação ampla de características e necessidades de suporte. Existem três níveis de suporte no TEA. Confira:



  • Nível 1 (leve): há dificuldades de interação social e comunicação, mas a pessoa consegue manter autonomia na maior parte das atividades, com pouco apoio.

  • Nível 2 (moderado): as dificuldades são mais evidentes e exigem acompanhamento contínuo e intervenções regulares.

  • Nível 3 (intenso): há grande comprometimento da comunicação e do comportamento, com necessidade de suporte para o resto da vida.


Por que há mais diagnósticos de autismo em crianças?


A percepção de que o autismo em crianças se tornou mais comum não está ligada, necessariamente, a um aumento real de casos. Os especialistas apontam que o principal fator por trás do crescimento nos números é a ampliação do reconhecimento clínico e social da condição.


José Vicente Montagud Fogués, professor da Universidade Internacional de Valência, na Espanha, explica que houve avanço nos critérios de avaliação e maior preparo de profissionais da saúde e da educação para identificar sinais do TEA ainda na infância.


Outro fator decisivo é o acesso mais rápido a avaliações especializadas. Com mais informação circulando e maior procura por atendimento, as famílias chegam aos serviços de saúde mais cedo e isso antecipa o diagnóstico.


A forma como o autismo é compreendido também mudou: hoje, o TEA é tratado como parte da neurodiversidade, e não como uma doença que precisa ser “corrigida”.


Apesar de todos esses avanços, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é desigual no Brasil. Em regiões de baixa renda, a falta de profissionais, a demora na rede pública e as dificuldades financeiras das famílias seguem como obstáculos para a identificação precoce e o acompanhamento adequado das crianças.


Inclusão e políticas públicas para crianças com TEA


O aumento no diagnóstico de autismo expõe a falta de estrutura para acolher essas crianças em muitas regiões do país. Especialistas defendem que identificar mais casos precisa vir acompanhado de políticas públicas que garantam atendimento na rede de saúde e inclusão nas escolas.


Na prática, isso passa pela adaptação das escolas, capacitação de professores e ampliação do acesso a terapias pelo SUS. Sem essa rede de suporte, muitas famílias ficam sem conseguir dar sequência ao acompanhamento necessário.


O caso de Alice, que terminou sem ferimentos graves, expõe também a vulnerabilidade de crianças com dificuldades de comunicação e reforça a importância das redes de apoio e ações de busca rápida.






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