BRB põe à venda R$22 bilhões em ativos para liquidar carteira do Master

 Nelson Antônio de Souza, presidente do banco, lidera ofensiva na Faria Lima

Sede do BRB (Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília).

O Banco de Brasília (BRB) decidiu pela alienação total dos ativos adquiridos junto ao Banco Master, conjunto este avaliado em aproximadamente R$ 22 bilhões. O movimento foi confirmado pelo presidente da instituição estatal, Nelson Antônio de Souza, que viajou a São Paulo nesta quarta-feira (4) para comandar pessoalmente as tratativas com investidores no mercado financeiro da Faria Lima. A estratégia busca fortalecer o caixa do banco após a incorporação de créditos considerados de baixa qualidade.

De acordo com o dirigente, a instituição “está tomando todas as providências para o fortalecimento e a preservação dos recursos dos clientes e do controlador, tanto do ponto de vista da liquidez quanto do capital e da transparência”. O portfólio colocado à venda é diverso, abrangendo carteiras de pessoas físicas, de atacado e de fundos, além de bens tangíveis como restaurantes e imóveis. Entre os destaques imobiliários está um terreno de alto valor na Marginal Pinheiros, situado em área nobre da capital paulista.

A ofensiva de vendas ocorre em um momento de pressão regulatória. O Banco Central estabeleceu que o BRB realize um provisionamento de R$ 2,6 bilhões para salvaguardar o balanço contra eventuais fraudes nas carteiras oriundas do Master. Em comunicado, o banco informou que já providenciou a substituição ou liquidação de R$ 10 bilhões, do total de R$ 12 bilhões desembolsados em papéis sob suspeita de inexistência. O caso é um dos eixos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. 

Nelson Antônio de Souza, que lidera a gestão desde novembro após o início das investigações, sustenta que “o banco está cada vez mais forte e hoje conta com uma gestão completa”. Paralelamente ao desinvestimento, a cúpula do BRB desenha um plano de capitalização que inclui a estruturação de um Fundo de Investimento Imobiliário e a busca por crédito junto ao Fundo Garantidor de Crédito.

A expectativa da diretoria é que o sucesso das negociações em curso dispense a necessidade de um aporte direto vindo do Governo do Distrito Federal, que é o controlador da instituição. O banco mantém diálogo constante com diversos agentes do mercado para concluir o repasse dos ativos estratégicos, sem planos de mantê-los em seu portfólio de longo prazo.

Postar um comentário

0 Comentários