Fundo associado a Daniel Vorcaro fez aportes simultâneos à costura da sociedade
O fundo de investimentos utilizado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para adquirir parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões.
Documentos bancários indicam que os aportes realizados no fundo coincidem com o período de negociação da sociedade entre o veículo de investimentos e a empresa do ministro.
As datas também convergem com mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Vorcaro, nas quais o banqueiro cobra e orienta o cunhado, o pastor Fabiano Zettel, a realizar aplicações milionárias relacionadas ao empreendimento. Os extratos foram obtidos pelo Estadão. Os extratos, conforme o jornal, apontam que, em 28 de outubro de 2021, Zettel aportou R$ 15 milhões no fundo Leal. Poucos dias depois, em 3 de novembro do mesmo ano, realizou novo aporte de R$ 5 milhões.
Nas mesmas datas, o fundo Leal transferiu R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35, respectivamente, ao FIP Arleen, veículo que adquiriu participação no resort.
Ao comprar a fatia societária, o Arleen passou a deter parte do empreendimento turístico, avaliado em mais de R$ 200 milhões. À época, a empresa Maridt S.A., ligada a Toffoli, possuía participação no negócio.
Em janeiro deste ano, quando veio a público que Zettel era cotista do fundo Leal, o pastor declarou ter deixado o investimento em 2022.
No entanto, documentos do próprio fundo e mensagens obtidas pela PF indicam que ele permaneceu como cotista e continuou realizando aportes relacionados ao Tayayá.
Cobranças e mensagens
Em maio de 2024, Vorcaro questionou Zettel por WhatsApp sobre a situação dos repasses ao resort. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. Em resposta, o pastor apresentou uma lista de pagamentos para aprovação, incluindo uma linha identificada como “Tayaya – 15”, interpretada pela PF como referência a um repasse de R$ 15 milhões. Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em agosto do mesmo ano, novas mensagens revelam a cobrança do banqueiro. “Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou. Diante da resposta de que os recursos já haviam sido transferidos ao intermediário responsável, Vorcaro reagiu: “Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?”. Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele”.
Para prestar contas, o pastor listou os valores já pagos: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”.
Apesar do aporte de R$ 15 milhões realizado por Zettel no fundo Leal em 8 de julho de 2024, o FIP Arleen só recebeu transferência equivalente em 10 de fevereiro de 2025, no valor de R$ 14.521.851,17.
No dia 21 de fevereiro de 2025, a Maridt S.A., empresa ligada a Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços à JBS.
Na quinta-feira, 12, um dia após a revelação da existência do relatório da PF com conversas e menções ao nome de Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso envolvendo o Banco Master no STF. O inquérito foi redistribuído ao ministro André Mendonça.
Defesa do ministro
Em nota divulgada após a entrega do relatório da PF ao Supremo, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da Maridt S.A., empresa que possuía participação no resort, mas negou ter recebido pagamentos de Daniel Vorcaro ou manter relação de amizade com o banqueiro.

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