Reeleito em El Salvador, Bukele manda indireta para Lula: ‘parceria com criminosos’

Presidente de El Salvador disse que já conversou com Lula, mas segurança pública não foi pauta levantada pelo petista

O presidente de El Salvador, reeleito com mais de 83% dos votos válidos, Nayib Bukele. (Foto: AFP)

Reeleito no domingo, 4, com um resultado provisório de 83% dos votos válidos, o presidente de direita de El Salvador, Nayib Bukele, citou o presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, durante entrevista coletiva.

Segundo ele, das duas vezes em que conversou com o brasileiro, em nenhuma, o tema segurança pública foi uma pauta levantada pelo petista.  Bukele sugeriu ao governo Lula que “todos os problemas têm solução quando há vontade política” e que alguns governos  não enfrentam o tema porque são ‘parceiros de criminosos’.

O presidente de El Salvador enfrentou e derrubou os indicadores de criminalidade a percentuais insignificantes, prendendo os bandidos que atormentavam o dia-a-dia dos salvadorenhos. Entre outras providências, construiu presídios e recolheu milhares de bandidos procurados pela Justiça. A devolução da sensação de segurança deu tranquilidade à população e transformou Bukele em um dos chefes de governo mais populares do mundo.

Em 2015,El Salvador chegou a ser considerado o país mais perigoso do mundo, apresentando uma taxa de homicídio que chegava a 106,3 homicídios para cada 100 mil habitantes. A política de Bukele, eleito em 2019, aos 37 anos, reduziu drasticamente os números por meio de mudanças na legislação federal e maior liberdade de atuação para as forças militares.

Destaque para a construção do maior presídio do continente americano, projetado para receber até 40 mil detentos: o Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot). A prisão foi feita para receber líderes de facções criminosas como a Barrio 18 e Mara Salvatrucha (MS-13), que no Brasil correspondem ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho.

No mesmo ano, o índice de homicídio caiu para 7,8 homicídios por 100 mil habitantes. Já em 2023, essa taxa chegou a apenas 1,7 homicídio por 100 mil, segundo estatísticas oficiais. Os números atraíram ao país investidores como o líder global em investimentos financeiros, JP Morgan.

Chamado pela oposição de ‘torturador’ e ‘autoritário’, ao estilo dos discursos praticados por alguns partidos no Brasil sobre políticos de direita, Bukele ironiza e diz que é o ‘ditador mais cool do mundo’. Já a população do país endossa sua gestão com um índice de 90% de aprovação.

Lula não se interessou

Apesar de comandar a experiência exitosa no enfrentamento da criminalidade em El Salvador, Nayib Bukele não ouviu do presidente brasileiro, em dois encontros, qualquer questionamento ou manifestação de curiosidade sobre o que tem realizado.

“Conversei duas vezes com o presidente Lula, mas ele jamais me mencionou o tema segurança. Imagino que ele tenha sua forma de abordar e lidar com essa situação. Nunca falamos sobre esse assunto”, disse Bukele.

E completou: “O que El Salvador está fazendo [sobre segurança pública] provavelmente tem muita diferença com o que o Brasil precisa. Mas o que incomoda muitos governos é que El Salvador mostra que todos os problemas têm solução quando há vontade política. E que quando um país não resolve seus problemas, especialmente de criminalidade é porque não há vontade de resolvê-los. Em alguns casos, [os governantes] são parceiros de criminosos. Então obviamente não vão atacar seus parceiros”.

A fala do presidente de El Salvador escancara que o mundo está de olho na situação do Brasil quanto ao tema da segurança pública. O início do governo Lula foi marcado pelo notável empoderamento das facções criminosas em diversos estados do país, dominados pelo crime organizado.

Diário do poder

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