Ex-presidente do BRB diz que Ibaneis teria mandado vender o banco ao Master

 Apesar de sua versão, presidente do BRB não tem poder de vender o banco; defesa de Ibaneis diz que é mentira

Paulo Henrique Costa - Foto: Lucio Bernardo Jr.

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Cost, que se encontra preso, declarou em depoimento à Polícia Federal (PF) que o acordo envolvendo o Banco Master foi definido em uma reunião entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

“A gente definiu com o então governador eleito e depois isso foi tudo submetido às instâncias de governança do BRB e aprovado, com os ajustes que essas instâncias trouxeram”, disse Paulo Henrique Costa em seu depoimento.

O site Metrópoles informou que, segundo Costa, Ibaneis solicitou  que ele estruturasse a venda do banco público ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. 

Pelo relato, o pedido ocorreu durante um jantar na residência de Vorcaro, em 24 de setembro de 2024. Costa contou que recebeu, pelo gabinete do governador, uma mensagem convocando-o para o encontro enquanto estava viajando na Bahia. Tentou evitar a reunião — inclusive porque havia uma festa de aniversário do banco —, mas acabou retornando a Brasília e participando do jantar, onde estavam presentes cerca de sete pessoas, entre elas Ibaneis e Vorcaro.

No encontro, Ibaneis teria dito: “Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master”. Costa afirmou ter ficado surpreso, pois sempre defendia internamente que o banco não seria vendido. Relatou também irritação com Vorcaro por ter marcado a reunião com o governador sem avisá-lo previamente. Ainda assim, reconheceu que cumpriria a determinação, já que o acionista controlador do BRB é o Governo do Distrito Federal.

De acordo com o depoimento, Ibaneis mencionou a venda das ações do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), que na época detinha cerca de 16,5% de participação no banco. Posteriormente, Costa se reuniu com o governador e se posicionou contra a privatização, argumentando que se tratava de uma decisão do acionista e que o BRB era estratégico para o DF. 

O depoimento foi prestado em 15 de outubro e integra o material enviado pela PF ao Supremo Tribunal Federal junto ao indiciamento de Vorcaro, Paulo Henrique e outros investigados no caso Master.

A defesa de Ibaneis Rocha, liderada pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro (Kakay), afirmou que o ex-governador “jamais sugeriu ao então presidente do BRB que tomasse qualquer decisão no sentido de abrir negociações com o Banco Master”, ressaltando que Costa tinha completa autonomia nas operações do banco e que não é verdade que Ibaneis tenha apresentado Vorcaro a ele.

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