Líder dos delegados da PF defende identificação das conversas entre Vorcaro e Moraes

Edvandir Paiva também informa que relatório Usado por Moraes contra André Mendonça não pod circular fora da PF

Edvandir Paiva, presidente da Associacao Nacional dos Delegados da Polícia Federal - Foto: Jefferson Rudy/Senado.

O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, afirmou neste sábado (5) que o relatório de inteligência da PF usado pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito das Fake News é “totalmente irregular” e nunca deveria ter saído da corporação. ele também defendeu os policiais que cumpriram a ordem judicial de Mendonça para identificar as conversas de Moraes, afirmando que não houve irregularidade na conduta da equipe.

Segundo Paiva, o documento reúne impressões internas e análises subjetivas. Por isso, não poderia circular fora da Polícia Federal nem ser juntado a um processo criminal. A posição de Paiva foi noticiada pelo jornalista Aguirre Talento, do Estadão.

“O conhecimento de que ele existe por pessoas de fora da polícia e a utilização dele em um processo criminal é algo totalmente irregular”, disse. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou o material a Moraes após ordem do ministro. O próprio relatório indica que não tem valor probatório e não serve como elemento de acusação. Mesmo assim, Moraes o usou para acusar o colega André Mendonça de abuso de autoridade, depois que Mendonça pediu à PF um relatório com conversas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A divulgação gerou “estranheza muito grande” entre delegados. Muitos chegaram a questionar se o texto realmente tinha sido produzido na PF, porque o formato e a ausência de autor não são habituais em relatórios de inteligência. Paiva destacou que a doutrina de inteligência proíbe a inclusão desse tipo de documento em inquéritos e que situações internas como essa não deveriam ser conhecidas fora da corporação.

Ele também alertou que a exposição do relatório pode ter comprometido investigações em andamento, ao revelar alvos que ainda não sabiam que estavam sendo investigados.

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