Por Samara Dantas
Em um Congresso Nacional marcado historicamente pela gestão do imediato, do voto, do repasse, do favo, Paulo Sá aparece como uma figura deliberadamente fora do lugar. Não porque seja inexperiente. Mas porque pensa além.
Empreendedor com raízes nas negociações e especialização em gestão pública, negócios e pessoas, Paulo Sá construiu sua trajetória entre o setor privado e os corredores do poder institucional de Brasília. Participou de negociações nacionais e internacionais, articulou contratos de alto valor, assessorou empresas na navegação pelo complexo ecossistema empreendedor do Brasil. Não é um político de carreira. É um gestor que escolheu a política como ferramenta.
E é exatamente essa distinção que vamos explorar nesta matéria: a diferença entre o político que administra o presente e o estadista que projeta o futuro. Paulo Sá se propõe a ser as duas coisas, e tem clareza de que a primeira é condição para a segunda.
Uma leitura que começa pelo mapa
Antes de falar em políticas públicas, Paulo Sá fala em contexto. Para ele, qualquer proposta legislativa desconectada do cenário histórico, geopolítico e macroeconômico é, na melhor das hipóteses, ingênua, e, na pior, nociva.
“O Brasil tem uma posição geográfica que pouquíssimos países no mundo têm: somos tropicais, temos a maior reserva de água doce do planeta, somos o maior produtor de alimentos, temos saída para dois oceanos, estamos no hemisfério que ainda será palco das disputas do século XXI. E a maioria dos nossos representantes sequer consegue articular isso em um parágrafo coerente.”
“O Brasil não é um país em desenvolvimento. É uma potência em estado de negligência. A diferença é enorme, e muda completamente o que se deve fazer a partir do Congresso.”
— Paulo Sá, pré-candidato a Deputado Federal pelo Distrito Federal
Essa perspectiva não é retórica. Paulo Sá descreve com precisão os vetores que, segundo ele, definem o campo de possibilidades do Brasil nos próximos vinte anos: a reconfiguração da ordem multipolar pós-Guerra Fria, a disputa sino-americana por influência no Sul Global, o papel crescente do agronegócio e da bioeconomia como ativos geoestratégicos, e a transição energética como janela de oportunidade para países com a matriz renovável que o Brasil já possui.
“Quando você olha o Brasil com esses óculos, percebe que nossa disputa não é só interna. É com o mundo. E o mundo não vai esperar o Brasil se entender politicamente para decidir quem vai sentar à mesa das grandes decisões globais.”
A bancada que ele quer construir reúne especialistas
Uma das afirmações mais contundentes de Paulo Sá diz respeito à sua metodologia de atuação parlamentar. Diferente do modelo tradicional, em que o deputado orbita em torno de demandas setoriais e clientelas eleitorais, ele propõe construir o que chama de uma “bancada técnica paralela”: um grupo de especialistas de alto nível em cada área estratégica, com quem pretende trabalhar de forma contínua e estruturada.
Economistas com leitura macroeconômica independente. Geógrafos políticos. Especialistas em relações internacionais e inteligência estratégica. Especialistas em tecnologia, inteligência artificial aplicada ao setor público, bioeconomia, direito constitucional comparado. Professores universitários. Técnicos do IPEA, da FGV, de think tanks nacionais e internacionais.
As áreas de atuação prioritária de Paulo Sá em um possível mandato:
▸ Educação pública de qualidade e valorização docente como base do desenvolvimento nacional
▸ Desburocratização tributária e acesso real ao crédito para PMEs e empreendedores
▸ Tecnologia, IA e inovação aplicadas à gestão pública e ao setor produtivo
▸ Saúde com inteligência: prevenção, dados e eficiência no SUS
▸ Esporte e cultura como vetores de desenvolvimento social e soft power nacional
▸ Transparência, controle de gastos e fim dos privilégios no setor público
“Nenhum deputado sozinho vai resolver o Brasil. Mas um deputado bem assessorado, com agenda técnica clara e coragem política para votar contra o próprio interesse quando necessário, esse pode mover montanhas dentro do Congresso.”
A proposta não é nova no vocabulário político. Mas Paulo Sá a sustenta com uma diferença: ele não quer especialistas para legitimá-lo. Quer especialistas para corrigi-lo quando necessário. “Humildade intelectual é pré-requisito de gestão. Quem não aceita ser contrariado por alguém que sabe mais não está gerindo, está performando.”
O Brasil que ele enxerga, e o que falta para chegar lá
Paulo Sá tem uma visão clara sobre o potencial brasileiro, mas se recusa ao otimismo fácil. Para ele, o problema do Brasil não é de recursos, é de governança, de prioridade e de cultura institucional.
“A China não se tornou potência porque tinha sorte. Ela tinha um plano de cinquenta anos. A Coreia do Sul não virou uma economia sofisticada do dia para a noite. Houve visão de longo prazo, sacrifícios geracionais, reformas estruturais corajosas. O Brasil tem tudo que eles tinham, e mais. Falta vontade política organizada.”
Nessa análise, Paulo Sá identifica três gargalos centrais que o Brasil precisa superar para ocupar o lugar que lhe cabe entre as grandes economias do mundo: a desordem fiscal que penaliza a iniciativa privada e afasta investimento de longo prazo; o déficit educacional que compromete a produtividade das próximas gerações; e a captura do Estado por interesses privados corporativos que travam qualquer agenda verdadeiramente reformadora.
São exatamente esses três eixos que nortearão sua atuação em possível mandato, e que, segundo ele, também orientarão os projetos de lei que pretende apresentar já no primeiro ano.
Deputado Federal: ponto de partida, não de chegada
Paulo Sá não esconde a ambição. E faz isso com uma franqueza que, curiosamente, soa mais honesta do que a modéstia calculada que se costuma ver na política brasileira.
Quando perguntado sobre seus planos além do mandato, a resposta é direta: o posto de Deputado Federal é o primeiro degrau de uma trajetória que ele enxerga em escala muito maior. “Eu não estou concorrendo para ter um gabinete em Brasília. Estou concorrendo porque acredito que o Brasil precisa de pessoas que pensem grande, e que estejam dispostas a pagar o preço disso.”
“Minha intenção não é parar como deputado. Quero estar nos lugares onde as decisões que afetam o futuro do país são tomadas. O Brasil merece sentar à mesma mesa que China e Estados Unidos, e alguém tem que empurrar essa cadeira.”
— Paulo Sá
Paulo Sá não está construindo uma carreira política tradicional, baseada em alianças progressivas e concessões crescentes. Está construindo uma trajetória de Estado, com visão estratégica de longo prazo e disposição para acumular capital político da maneira mais difícil, pela entrega de resultados concretos.
Se conseguirá executar esse projeto, o tempo dirá. Mas o diagnóstico que ele apresenta é sólido, a disposição é evidente, e a proposta de gestão, baseada em competência técnica, humildade intelectual e visão sistêmica, é, no mínimo, refrescante em um cenário político que carece de exatamente isso.
O DF como laboratório de uma nova política
Pré-Candidato pelo Distrito Federal pelo partido AVANTE, Paulo Sá enxerga Brasília não apenas como sua base eleitoral, mas como o lugar simbólico mais adequado para lançar esse projeto. “O DF é o coração institucional do Brasil. Aqui convivem a sede dos três poderes, os melhores quadros técnicos do país, as embaixadas, os centros de decisão. Se existe um lugar onde se pode construir uma nova forma de fazer política, com base em conhecimento, articulação e visão de futuro, é aqui.”
Seu slogan de campanha, “DF Sem Privilégios”, sintetiza bem a tensão que pretende instalar: entre uma Brasília que historicamente serve às elites do poder e uma Brasília que poderia servir ao Brasil.
É uma aposta alta. E Paulo Sá parece saber disso melhor do que ninguém.

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