Master: liquidação completa 5 meses com 4 fases de operação da PF

Banco Master foi liquidado no dia 18 de novembro. Desde então, houve quatro fases de operação, inclusive com uma morte em investigação

Michael Melo/Metrópoles
Imagem colorida do Banco Master
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A liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) completou o quinto mês de aniversário no sábado (18/4). Os últimos 30 dias do caso estão entre os mais movimentados desde o estouro do escândalo. Um dos destaques mais recentes foi a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília S.A. (BRB) Paulo Henrique Costa pela Polícia Federal (PF), na quinta-feira (16/4).

Os desdobramentos do caso ocorrem em meio ao andamento de dois pontos importantes: a apuração de um processo administrativo disciplinar contra os ex-diretores do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, e o andamento dos trabalhos da comissão interna do BC instalada em fevereiro para investigar a liquidação do conglomerado do Master.

O Banco Central definiu no dia 18 de fevereiro a comissão responsável por apurar o inquérito de liquidações das empresas do conglomerado financeiro do Master. Formada por cinco técnicos, servidores do BC, a comissão tem 120 dias para concluir as apurações, a partir da data da instalação do inquérito — prorrogáveis por mais 120 dias, se “absolutamente necessário”.

A comissão tem poderes para, por exemplo, “examinar, quando e quantas vezes julgar necessário, a contabilidade, os arquivos, os documentos, os valores e mais elementos das instituições”; colher depoimentos, inclusive, com apoio da polícia; demandar informações de outras autoridades públicas; e examinar autos de falência.

Os ex-presidentes do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana são alvo de um processo administrativo disciplinar na Controladoria Geral da União (CGU). As investigações indicam suspeitas de que teriam atuado em favor dos interesses do dono do Master, Daniel Vorcaro, enquanto gestores da autoridade monetária.

A reportagem procurou tanto a CGU quanto o Banco Central para saber do andamento dos processos. No entanto, não houve resposta por parte da CGU e o BC respondeu apenas que não comentaria.


Liquidações

  • O BC determinou a liquidação do Master após este ser apontado como integrante de um esquema de emissão e negociação de títulos de crédito falsos envolvendo instituições financeiras do Sistema Financeiro Nacional (SFN) – entre as quais, o BRB.
  • Como consequência do funcionamento do esquema, o Banco Central determinou a liquidação de outras nove instituições financeiras pertencentes ao Master ou com alguma ligação com o banco. As liquidações foram as seguintes:
  • Banco Master S.A. – 18/11/2025.
  • Banco Master de Investimento S.A. – 18/11/2025.
  • Banco Letsbank S.A. – 18/11/2025.
  • Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários – 18/11/2025.
  • Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) – 15/1/2026.
  • Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento – 21/1/2026.
  • Banco Pleno S.A. – 18/2/2026.
  • Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. – 18/2/2026.
  • Banco Master Múltiplo — 17/3/2026.

Escândalo em quatro atos

primeira fase da Operação Compliance Zero, que derrubou o suposto esquema fraudulento do Master, foi realizada no mesmo dia da liquidação, em 18 de novembro passado. A PF cumpriu naquele dia mandados de busca em cinco estados e apreendeu cerca de R$ 1,6 milhão em espécie. O então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado do cargo. 

No dia 14 de janeiro de 2026, a PF ampliou o alcance da investigação contra o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e passou a atingir também familiares próximos do empresário na segunda fase da Operação Compliance Zero.

O pai, a irmã, o cunhado e um primo de Vorcaro foram os alvos de buscas, todos suspeitos de envolvimento em operações financeiras fraudulentas ligadas ao Banco Master. Os mandados foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para cumprimento em cinco estados: São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

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Banqueiro está preso preventivamente desde 4 de março
Sede do BRB
BRB e Master
Banco Central

terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março, foi a mais emblemática de todas. Além de levar Vorcaro para a prisão, horas após o início da ação, houve a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário”.

O homem é apontado como um dos líderes do grupo “A Turma”, que seria responsável por organizar ações contra desafetos do banqueiro. Conforme a polícia, no mesmo dia da prisão, Sicário teria usado a camiseta que vestia para tentar tirar a própria vida. Ele acabou morrendo. 

O inquérito sobre a morte tem previsão para ser concluído neste mês. Além disto, o cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Campos Zettel, também foi alvo e se entregou à PF.

Daniel Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde o dia 19 de março de 2026. O banqueiro encontra-se detido desde a terceira fase da Operação Compliance Zero, no início de março. 

A prisão do ex-presidente do BRB foi o fato de maior repercussão da quarta fase da Operação Compliance Zero, na última quinta (16/4). Autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Informações obtidas pelo Metrópoles revelam que a prisão tem a ver com suposta propina oferecida pelo Master em negociações com o BRB, envolvendo o ex-presidente e a transação de seis imóveis, no valor de R$ 146,5 milhões. 

A defesa do ex-presidente do BRB nega que ele tenha cometido crimes.

A liquidação

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025. Naquele dia, as instituições Banco Master S.A., Banco Master de Investimento S.A., Banco Letsbank S.A. e Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários, integrantes do conglomerado também foram liquidadas. 

Também no dia 18, o Banco Central determinou a aplicação do Regime de Administração Especial Temporária (Raet) no Banco Master Múltiplo S.A. e nomeou para executar a administração especial temporária, com plenos poderes, a EFB Regimes Especiais de Empresas LTDA. A instituição acabou liquidada posteriormente.

As medidas contra o Master foram tomadas por suspeitas de que a instituição criava e tentava vender carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro. O montante chegaria a R$ 12 bilhões. A defesa do banqueiro nega haver irregularidades.

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