gastros dizem por que é difícil evacuar fora de casa





Para algumas pessoas, evacuar fora de casa é um grande problema. O medo de usar banheiros públicos, a vergonha ou a sensação de desconforto fazem com que o intestino simplesmente não funcione.


Esse quadro é conhecido popularmente como síndrome do intestino tímido e está diretamente ligado à ansiedade. Segundo a gastroenterologista Debora Poli, do Hospital Sírio-Libanês, o nome chama atenção, mas descreve uma situação comum.


“Falamos de ansiedade ou até fobia relacionada ao ato de evacuar. A pessoa sente medo de usar o banheiro e acaba segurando as fezes”, explica.


O que é a síndrome do intestino tímido


Apesar do nome popular, o intestino tímido não é um diagnóstico formal da gastroenterologia. Debora conta que o termo é mais descritivo e tem forte relação com fatores emocionais, especialmente ansiedade. Na prática, a pessoa evita evacuar fora de casa. Com isso, passa a reter as fezes repetidamente.


“Essa retenção provoca consequências como dor abdominal, cólicas, sensibilidade no intestino, fezes endurecidas e dificuldade para evacuar”, afirma a médica. Ou seja, os sintomas intestinais surgem depois da ansiedade, e não o contrário.

Como identificar que o problema é emocional


Os sinais costumam ser claros no relato do paciente. Medo de banheiros públicos, preocupação com higiene, receio de não conseguir se limpar direito ou sensação de estar sendo observado são queixas frequentes. Além disso, podem aparecer sintomas típicos de ansiedade, como sudorese, palpitação e tremores.


“Não se trata de um intestino que funciona mal por natureza. É o medo que interfere no funcionamento”, reforça Debora. Isso é diferente da constipação funcional, em que o intestino é naturalmente mais lento, sem ligação direta com emoções.




Quais complicações o intestino tímido pode causar


A retenção frequente das fezes, provocada pela ansiedade de usar o banheiro, pode gerar alguns problemas ao longo do tempo. Os mais comuns são:



  • Fecaloma: acúmulo de fezes muito endurecidas, que pode exigir uso de medicamentos, lavagens intestinais e, em casos raros, procedimentos médicos.

  • Hemorroidas: surgem pelo esforço repetido para evacuar e podem causar dor e sangramento.

  • Fissuras anais: pequenas lesões na região anal, geralmente associadas à passagem de fezes ressecadas.

  • Dor e desconforto abdominal: sensação constante de peso, estufamento e cólicas.




É importante lembrar que complicações graves, como câncer, colites ou úlceras intestinais, não costumam estar relacionadas ao intestino tímido. O maior impacto da condição é no conforto, na rotina e na qualidade de vida do paciente.


Intestino tímido não é a mesma coisa que constipação ou intestino irritável


No intestino tímido, a pessoa segura as fezes de forma consciente, por medo ou ansiedade. Na constipação crônica, o intestino se movimenta mais devagar, o que reduz a frequência das evacuações.


Já a síndrome do intestino irritável envolve dor abdominal, maior sensibilidade intestinal e alterações do hábito intestinal, que podem incluir diarreia, constipação ou alternância entre as duas.


A gastroenterologista Thicianie Fauve, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, explica que o intestino responde diretamente às emoções. “Existe uma ligação intensa entre cérebro e intestino. Estresse, vergonha e medo podem interferir na formação e na eliminação das fezes”, afirma.

Foto colorida de boneco de madeira sentado no vaso -Metrópoles.
Segundo especialistas, a síndrome do intestino tímido está diretamente ligada à relação entre emoções e intestino

Ela destaca que muitas pessoas acabam tornando o intestino muito dependente de rotina. “Quando a o dia a dia muda, como em viagens ou ao ficar fora de casa, o intestino pode ‘travar’”, diz.


O intestino tímido pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum na adolescência e no início da vida adulta. Situações de estresse, mudanças na rotina e viagens costumam desencadear os sintomas.


Segundo Thicianie, o quadro pode melhorar, mas tende a reaparecer em períodos de ansiedade. “Há também uma predisposição genética. Quem tem familiares com o mesmo problema tem mais chance de desenvolver a timidez”, explica.

Quando procurar um médico


Evacuar não deve causar dor, esforço ou angústia. “Sempre que a ida ao banheiro se torna um problema, é importante procurar avaliação médica”, orienta Debora.


A investigação começa com consulta, conversa detalhada e exame físico. Em muitos casos, isso já é suficiente. Exames como colonoscopia ou outros testes só são solicitados quando há necessidade, de acordo com os sintomas e a idade do paciente.


O tratamento envolve mudanças de hábitos, ajustes na alimentação, controle da ansiedade, criação de uma rotina intestinal regular e, quando necessário, uso de medicamentos.


Em alguns casos, o acompanhamento psicológico é essencial. “O tratamento costuma ser contínuo, mas é possível ter uma vida normal com acompanhamento adequado”, resume Thicianie.






Source link

https://chumbogrossodf.com.br/gastros-dizem-por-que-e-dificil-evacuar-fora-de-casa/?fsp_sid=253151

Postar um comentário

0 Comentários