O ministro da Fazenda avaliza robustez técnica do BC enquanto TCU apura procedimentos da liquidação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (13) que o episódio envolvendo o Banco Master possui contornos que podem configurá-lo como “a maior fraude bancária” já registrada no Brasil.
O ministro enfatizou que o desdobramento da liquidação da entidade financeira transcende o setor privado, alcançando o interesse da sociedade, visto que instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil são responsáveis por parte da composição do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Ao falar com a imprensa, Haddad demonstrou preocupação com a magnitude do cenário.
“O caso inspira muito cuidado. Podemos estar diante da maior fraude bancária da história do país. Podemos estar diante disso. Temos que cuidar de todas as cautelas devidas, garantindo espaço para defesa se explicar, mas ao mesmo tempo sendo firmes”, pontuou.
A intervenção definitiva do Banco Central na instituição ocorreu em novembro, sob a justificativa de uma “grave crise de liquidez”. Em função do colapso, o FGC iniciou uma mobilização inédita para reembolsar aproximadamente 1,6 milhão de clientes e investidores. O montante totalizado chega a R$ 41 bilhões, consolidando-se como o maior volume de recursos já mobilizado em uma operação de socorro dessa natureza no território nacional.
Haddad justificou o acompanhamento estatal lembrando que o FGC, embora frequentemente visto apenas como uma entidade privada, possui participação pública relevante. “O FGC, que todo mundo considera fundo privado, é capitalizado também por dois bancos públicos. Banco do Brasil e Caixa respondem por 1/3 da capitalização do FGC. É um assunto de interesse público por várias razões, mas também porque envolve recursos de bancos públicos”, explicou o ministro.
Paralelamente, a Fazenda tem manifestado suporte institucional ao Banco Central, que enfrenta uma investigação no Tribunal de Contas da União (TCU) sobre eventuais falhas na condução da liquidação. Na última segunda-feira (12), após uma conferência entre Gabriel Galípolo, Vital do Rêgo e Jhonatan de Jesus, a autoridade monetária optou por retirar o recurso que contestava a auditoria do tribunal, indicando que a resolução do impasse não dependeria mais de uma votação em plenário.
Sobre a fiscalização e a atuação da autarquia, o ministro da Fazenda reafirmou sua confiança.
“Toda transparência pode ajudar. Se a intenção for boa, a transparência vai ajudar. Estou seguro do trabalho que o Galípolo e sua equipe fizeram. Nós atuamos conjuntamente quando o assunto era da Fazenda. Tivemos conversas com o procurador-geral da República [Paulo Gonet]. Tivemos o melhor aconselhamento possível até aqui. O trabalho do BC é tecnicamente robusto”, concluiu Haddad.
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