Novo exame de sangue prevê crises de asma com anos de antecedência





Um novo método pode ajudar médicos a prever crises de asma com vários anos de antecedência. A técnica se baseia em um exame de sangue capaz de identificar quais pacientes têm maior risco de desenvolver crises no futuro, mesmo quando a doença parece estar sob controle.


O estudo, publicado nesta segunda-feira (19/1) na revista Nature Communications, foi conduzido por pesquisadores do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, e do Instituto Karolinska, na Suécia. Ele responde a uma dificuldade recorrente no cuidado com a asma, já que hoje ainda não existem marcadores confiáveis capazes de indicar quais pacientes terão crises no futuro.




O que é asma?



  • A asma é uma das doenças crônicas mais comuns no mundo e afeta mais de 500 milhões de pessoas.

  • As principais características dessa doença pulmonar são: dificuldade de respirar, chiado e aperto no peito, respiração curta e rápida.

  • Os sintomas pioram à noite e nas primeiras horas da manhã ou em resposta à prática de exercícios físicos, à exposição a alérgenos, à poluição ambiental e a mudanças climáticas.

  • As crises, além de comprometerem a qualidade de vida, estão entre as principais causas de internações e custos em saúde.

  • Ainda assim, médicos costumam ter dificuldade para diferenciar pacientes estáveis daqueles que podem evoluir para quadros mais graves.




O que o exame mede no sangue?


Para chegar ao novo método, os pesquisadores analisaram dados de mais de 2,5 mil pessoas com asma, acompanhadas ao longo de décadas em três grandes grupos de pacientes. A equipe utilizou a técnica chamada metabolômica, que avalia pequenas moléculas presentes no sangue e ajuda a entender como o metabolismo do organismo está funcionando.


A análise mostrou que o controle da asma estava relacionado ao equilíbrio entre dois tipos de substâncias produzidas pelo próprio corpo. Os esfingolipídios fazem parte da estrutura das células e participam de processos inflamatórios, enquanto os esteroides incluem hormônios que ajudam a regular respostas do sistema imunológico. Mais do que a quantidade isolada de cada uma dessas moléculas, o fator decisivo foi a proporção entre esses dois grupos no sangue.



Com base nessa relação, o modelo conseguiu estimar o risco de crises ao longo de um período de até cinco anos. Em alguns casos, foi possível diferenciar pacientes de alto e baixo risco com quase um ano de antecedência em relação ao primeiro episódio.


“Um dos maiores desafios no tratamento da asma é não saber quem vai ter uma crise grave no futuro. Ao medir esse equilíbrio no sangue, conseguimos identificar pacientes de alto risco com cerca de 90% de precisão”, explica Jessica Lasky-Su, pesquisadora do Mass General Brigham e da Faculdade de Medicina de Harvard, em comunicado.

Por que a proporção faz diferença


Segundo os pesquisadores, a interação entre esfingolipídios e esteroides oferece um retrato mais fiel do que está acontecendo no organismo. Enquanto medições isoladas traziam pistas limitadas, a relação entre essas substâncias revelou um padrão mais consistente.


“Descobrimos que é essa interação que define o perfil de risco”, explica Craig E. Wheelock, pesquisador do Instituto Karolinska. Para ele, trabalhar com proporções torna o método mais estável e facilita sua adaptação para exames clínicos de rotina.

A expectativa é que, no futuro, esse tipo de teste ajude médicos a agir antes do surgimento das crises, ajustando o acompanhamento ou o tratamento de pacientes que aparentam estar bem, mas já apresentam alterações metabólicas.


Apesar dos resultados promissores, os autores ressaltam que o método ainda precisa passar por novas etapas de validação. Serão necessários estudos adicionais com outros grupos de pacientes, além de ensaios clínicos e análises de custo, antes que o exame possa ser incorporado à prática médica.






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