Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort

 Sócio? Olha minha casa’, diz Cássia Toffoli na porta de sua cada modesta, de 130 metros quadrados

Ministro do STF, Dias Toffoli - Foto: Ton Molina/STF.
A cunhada do ministro do STF Dias Toffoli, Cássia Pires Toffoli, negou qualquer ligação ou conhecimento sobre a empresa Maridt Participações — da qual seu marido é diretor-presidente e que tem a residência do casal em Marília (SP) registrada como sede na Junta Comercial.
“Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos. Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa! Se você entrar dentro, vai ficar assustado. O que está lá (na Junta Comercial), eu não sei. Eu sei que moro aqui há 24 anos e não sei de nada que é sede (da Maridt) aqui. Aqui é onde eu moro”, disse Cássia, esposa de José Eugênio Dias Toffoli (irmão do ministro).
De acordo com reportagem do Estadão, a Maridt, controlada por irmãos do ministro, vendeu em fevereiro de 2025 suas últimas participações no resort de luxo Tayayá (em Ribeirão Claro, PR) por cerca de R$3 milhões (R$ 2,8 milhões + R$ 698 mil), transferindo tudo para o advogado Paulo Humberto Barbosa (que já atuou para a JBS), tornando-o o único dono do empreendimento.
Ela foi abordada pela reportagem na porta de casa de 130 m² com sinais visíveis de desgaste e afirmou desconhecer o registro da empresa como sede ali e negou envolvimento com o resort ou qualquer ganho financeiro relacionado. Ela também disse: “Eu não sei e não quero nem saber” sobre o Tayayá, e mencionou que o marido viaja a trabalho e que as pessoas “ficam inventando coisas” sobre ele ser dono do resort
Contexto maior da reportagem e da sérieIsso faz parte de uma série de reportagens do Estadão sobre ligações entre familiares de Toffoli e o resort Tayayá:
  • Em 2021, a Maridt vendeu metade da participação (avaliada em R$ 6,6 milhões) para o fundo Arleen (administrado pela Reag Investimentos e com cotista o pastor/empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — alvo do inquérito no STF relatado por Toffoli).
  • Houve aportes totais de cerca de R$ 20 milhões via fundos da Reag no empreendimento.
  • Um ex-executivo da Reag (Silvano Gersztel) representou o fundo na transação e é investigado em operação da PF por suposta lavagem de dinheiro ligada ao PCC (a Reag nega irregularidades).
  • A família Toffoli (irmãos e primo Mario Umberto Degani) saiu completamente do negócio em 2025.

O ministro Dias Toffoli é relator do inquérito sobre o Banco Master (fraudes, venda irregular de créditos etc.), o que gera questionamentos sobre possível conflito de interesse, embora nem ele nem os familiares tenham comentado diretamente as reportagens. Toffoli continua frequentando o resort, segundo relatos de funcionários e outras publicações.

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