
Aos 36 anos, o goiano Vitor Meireles já havia passado por diferentes cirurgias abdominais que causaram um problema ainda maior. Antes professor de beach tênis e hoje criador de conteúdo, ele conta que as complicações começaram há cerca de 12 anos, quando precisou retirar o apêndice em caráter de urgência.
Segundo Vitor, o diagnóstico demorou. “O hospital dizia que não era nada, mas a dor era insuportável. Precisei procurar outro atendimento”, relata. A cirurgia foi realizada, mas a recuperação nunca foi completamente tranquila.
Mesmo anos depois, ele sentia dor ao fazer exercícios que acionavam a musculatura do abdômen. “Para fazer abdominal na academia, eu precisava segurar a região operada”, conta. Apesar do incômodo, Vitor seguiu a rotina até enfrentar um novo episódio grave, em 2025.
Intestino paralisado e dor intensa
De forma repentina, Vitor parou de evacuar, começou a vomitar e sentiu dores intensas. Procurou atendimento médico, fez diversos exames de imagem, mas o problema não era identificado. Apenas após buscar outro hospital, um novo raio-x revelou a causa do sofrimento: uma torção do intestino.
Ele foi internado e submetido a mais uma cirurgia. O procedimento resolveu a obstrução intestinal, mas abriu caminho para uma nova complicação.
Vitor percebeu um aumento progressivo no volume do abdômen. “Não sei se foi a cirurgia ou a falta de repouso adequado, mas uma hérnia começou a crescer”, diz. Sem o uso de cinta abdominal no pós-operatório, o quadro se agravou rapidamente.
Em cerca de um mês, a hérnia já estava grande e visível. Ao retornar ao médico que realizou a cirurgia, ouviu que seria necessário um novo procedimento. No entanto, a operação foi adiada quatro vezes porque o paciente estava constantemente gripado, o que impedia a anestesia.
Enquanto isso, a hérnia continuava aumentando. “Eu via aquilo crescer e não sabia mais o que fazer”, afirma. Vitor buscou outros profissionais e um deles foi direto ao dizer que não conseguiria operar um caso tão complexo.
Somente após seis meses de tentativas, ele encontrou um cirurgião disposto a assumir o tratamento. O caso ficou sob os cuidados do especialista em hérnias Cássio Gontijo, que explica que esse tipo de complicação é comum após cirurgias de urgência.
“Em cirurgias abdominais feitas em caráter emergencial, a taxa de hérnia incisional pode variar de 30% a 50%”, afirma. A hérnia incisional ocorre quando a musculatura abdominal não cicatriza corretamente após o corte cirúrgico, deixando uma abertura na parede do abdômen.

Cirurgia definitiva
Por se tratar de uma hérnia de grande volume e alta complexidade, o tratamento exigiu preparo cuidadoso. O primeiro passo foi a perda de peso, necessária para reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso do procedimento.
Além disso, a equipe utilizou toxina botulínica, a mesma substância conhecida como botox. “Ela é aplicada para paralisar temporariamente a musculatura do abdômen, o que permite ganhar extensão muscular e facilitar o fechamento da hérnia”, explica Gontijo. A aplicação foi feita cerca de um mês antes da cirurgia.
Outro recurso fundamental foi o pneumoperitônio progressivo. Por meio de um cateter instalado no abdômen, o ar ambiente era introduzido diariamente. Esse processo ajuda a adaptar o organismo à nova condição abdominal, reduz o inchaço intestinal e melhora as condições para a cirurgia.
Técnica brasileira sem uso de tela
Durante o procedimento, os médicos utilizaram uma técnica específica conhecida como cirurgia de Alcino Lázaro da Silva. Nessa abordagem, o próprio saco herniário — o revestimento interno da hérnia — é usado para reforçar a reconstrução da parede abdominal.
“A vantagem é conseguir fechar a hérnia sem o uso de telas ou próteses, que são corpos estranhos no organismo”, explica o cirurgião. Segundo ele, os resultados são equivalentes aos das técnicas com tela, mas com menos riscos associados.
A cirurgia foi bem-sucedida, e Vitor permaneceu internado por um curto período. Dois meses após o procedimento, ele comemora pequenas conquistas do dia a dia. “Eu só queria voltar a caminhar, sair de casa e tomar banho sozinho”, diz.
Hoje, ele segue em recuperação e retomando a rotina aos poucos. O caso chama atenção para os riscos de hérnias incisionais após cirurgias de urgência e reforça a importância de diagnóstico correto, acompanhamento médico e técnicas especializadas no tratamento de quadros complexos.
Source link
https://jornalismodigitaldf.com.br/com-hernia-abdominal-homem-fica-com-barriga-enorme-cresceu-em-1-mes/?fsp_sid=248991
0 Comentários