a história da professora perdida 17h na mata





A professora de biologia Isa Lucia de Morais (foto em destaque), 52 anos, passou 17 horas perdida no Parque Nacional das Emas, no sudoeste de Goiás, no começo de abril. Até o resgate, ela passou por maus bocados. A pesquisadora da Universidade Estadual de Goiás (UEG) caiu e quebrou o pulso. Foi picada por formigas, vespas e ainda sofreu ferimentos por espinhos. Mas também viveu momentos de alívio e encantamento ao se sentir acolhida por uma planta durante a madrugada.


Veja:


Fratura, vespas e frio: a história da professora perdida 17h na mata - destaque galeria

CBMGO resgata professora de biologia perdida em parque com vida
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CBMGO resgata professora de biologia perdida em parque com vida

Divulgação / CBMGO
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O Parque Nacional das Emas está localizado na região sudoeste de Goiás, a 725 quilômetros do Distrito Federal (DF). A professora frequenta o parque constantemente em função do trabalho que desenvolve com coleta de plantas, desde julho de 2023. Ainda assim, ela não conhece toda unidade em função da sua dimensão do parque.


Em 2 de abril, Isa Lucia coletava plantas ao lado de duas alunas quando se perdeu a passou a noite na mata. A professora foi resgatada por colegas e militares do Corpo de Bombeiros de Goiás (CBMGO) no dia seguinte.



“Caminhamos muito para o interior da vegetação para encontrarmos duas espécies novas de plantas. Obtivemos sucesso na busca e fizemos muitas coletas e registros fotográficos. Já havíamos encerrado as atividades por volta de 14h e retornávamos para a caminhonete, que tinha ficado na estrada. Antes de eu me perder, o tempo estava nublado e pouco depois, começou a chover”, contou.


A professora tem miopia e usa óculos. Com a chegada da chuva, a visão ficou ainda mais prejudicada e atrapalhou o senso de direção da educadora. As duas alunas estavam um pouco mais atrás da pesquisadora e pediram para que ela as aguardasse, porque precisavam descansar. Isa esperou e perguntou se as estudantes estavam vendo ela. Elas acenaram que sim.


“Voltei a caminhar e poucos minutos depois olhei para trás e elas não estavam atrás de mim. Nesse momento, já usei o apito para tentar saber onde elas estavam. Não obtive resposta. Gritei os nomes delas e continuei usando o apito, mas sem sucesso”, lembrou. Preocupada com as estudantes, começou a caminhar em direção a estrada, mas não conseguiu encontrá-las lá. Tampouco localizou a pista.


Fratura, vespas e formigas


“Pouco tempo depois, tropecei na vegetação, caí e fraturei o braço esquerdo na região do pulso. Eu sabia que havia algo errado com meu braço, mas a adrenalina de tentar chegar na estrada fez com que eu anulasse a sensação de dor. A bota que eu usava estourou na frente e expôs meus dedos, os quais ficaram feridos por espinhos e picadas de vespas e formigas durante o percurso, além de formar calos na sola dos pés, principalmente no esquerdo”, pontuou.

Isa procurou um galho de árvore para usar como cajado e evitar outras quedas. Já à noite, exausta por caminhar sem parar, deitou debaixo de uma árvore, onde se abrigou da chuva. Escolheu uma com folhas largas e baixa o suficiente para se abrigar. A espécie escolhida foi a Miconia ferruginata, um arbusto do Cerrado. Durante toda a noite ficou acordada porque estava com frio, sentia fortes câimbras e dor nas costas.


Era noite de lua cheia, por isso, quando a chuva parou foi possível ver todo o ambiente. Ela pensou em continuar caminhando para tentar se aquecer, mas resolveu aguardar o amanhecer.


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Professora frequenta o Parque com frequência para coletar plantas

Professor faz coleta de plantas no parque desde 2023
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Professor faz coleta de plantas no parque desde 2023

Arquivo Pessoal
Professora frequenta o Parque com frequência para coletar plantas
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Professora frequenta o Parque com frequência para coletar plantas

Arquivo Pessoal

Prometi que ia lhe levar para casa


No segundo dia, ficou muito tempo andando em círculos. “Soube porque fui reconhecendo as árvores e quebrando galhos para ter certeza de que já havia estado ali antes. Comecei também a observar minhas pegadas no chão”, contou. O sol estava a pino, quando a professora ficou animada ao notar que havia uma pessoa por perto.


“Poucos minutos depois eu ouvi o grito de uma das pessoas que me procurava. Foi emocionante. Rapidinho já vi um amigo e colega da UEG e uma das minhas alunas. Eles me deram água e ele me ofereceu uma bala para aumentar a glicose no sangue. Nunca vou esquecer o que me disse: ‘Isa eu prometi que ia lhe levar para casa. Que não ia voltar sem você! Que alegria ver você!’.

O bombeiro que os acompanhava chegou logo em seguida. O grupo estava a 2 km de distância da pista. “Após encontrá-los todas as dores que eu estava ignorando e a exaustão de tanto caminhar tomaram conta de mim. Nesse momento foi muito difícil caminhar até a estrada”, revelou. Após o resgate, a educadora passou por uma cirurgia no pulso.


Miconia ferruginata


“Agora o mais bacana foi a ajuda recebida pela espécie arbórea (Miconia ferruginata) que me acolheu e abrigou durante a noite e ao longo de toda caminhada pela manhã do segundo dia. Quando eu escolhi o indivíduo arbóreo eu disse: Você irá me acolher e proteger esta noite. Irei me deitar aos seus pés. E me deitei. Ao longo da noite, quando a chuva parou, gotas de água pingavam na minha boca ao escorrerem da planta”, pontuou.


Durante todo o trajeto no segundo dia, outras árvores da mesma espécie tinham um pouquinho de água nas folhas, que Isa bebeu para não ficar totalmente desidratada. Como sabia que precisava se manter fortalecida, buscou alimento. Sem encontrar frutos maduros, a professore comeu as flores de Mimosa de Ipomoea.


Lições


“A lição de vida que fica para mim, primeiramente, é a importância em ter pessoas que realmente se importam com você. As minhas duas alunas e meus amigos tiveram um papel preponderante no meu resgate. Em segundo lugar, fica o aprendizado da vivência em ambientes naturais. O quão importante é estar preparado e resiliente para as adversidades encontradas nestes ambientes. Manter a calma e o foco e não se deixar abater”, ressaltou.


Mãe e avó, Isa agora segue em frente em busca de mais conhecimento e agradecendo a ajuda de todos que ajudaram, direta ou indiretamente, para o seu resgate. A professora ainda não voltou ao parque por causa da cirurgia. Mas espera retornar em breve: a expectativa é regressar à mata já no mês que vem.





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