Kassab recebia comissão por aplicação em letras do Master, diz Vorcaro

Ex-banqueiro diz que o presidente do PSD tinha influência em fundos previdenciários que investiram no Master; político nega


Arte/Metrópoles
Daniel Vorcaro e Alexandre Kassab, presidente nacional do PSD
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O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, teria sido o destinatário final de parte de comissões pagas pelo Banco Master por investimentos de governos aliados a ele em letras financeiras do banco, disse o ex-banqueiro Daniel Vorcaro em tentativa de acordo de colaboração premiada.

Segundo o relato feito por Vorcaro à PF e à PGR, Kassab prometeu incentivar administrações municipais do PSD ou aliadas ao partido pelo Brasil a investir fundos previdenciários nos produtos financeiros de risco ofertados pelo banco.

Em troca, o banco oferecia o pagamento de uma comissão por cada captação de recursos. Segundo Vorcaro, a comissão era paga em espécie a consultores e também a agentes públicos, entre eles Kassab.

Por meio de nota, Kassab negou o relato do ex-banqueiro, que classificou como “absolutamente fantasioso”.

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“Nunca fiz qualquer gestão em favor de fundo de previdência para o Master ou qualquer outra instituição financeira. Nunca tratei de doações com Daniel Vorcaro, representantes do banco Master, e nunca autorizei ninguém a falar em meu nome nestes temas”, disse o político (leia a íntegra ao fim deste texto).

Vorcaro teve três propostas de delação premiada rejeitadas pela PF e pela PGR. Os órgãos consideraram ter havido omissões do ex-banqueiro sobre fatos já descobertos ao longo da investigação.

Ele está preso desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF, e cumpre prisão preventiva na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

Problemas com CDBs

De acordo com o relato de Vorcaro, o Master decidiu ampliar a oferta de letras financeiras a fundos municipais e estaduais de servidores a partir de 2023, quando passou a enfrentar dificuldades para captar recursos com CDBs.

Na época, o banco encontrava barreiras para rolar os CDBs que estavam vencendo, já que a maior parte do dinheiro captado era direcionada para fundos de investimento, precatórios e direitos creditórios de baixa liquidez.

O banco inclusive patrocinou iniciativas no Congresso para tentar ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, mas o projeto não prosperou.

Letras financeiras não têm proteção do FGC, ou seja, em caso de liquidação do banco, como aconteceu com o Master, investidores passam a ser credores e podem perder todo o dinheiro investido.

Aos investigadores, Vorcaro disse que os contatos do Master com Kassab eram realizados por meio de Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e interlocutor do político.

Quase R$ 2 bi em letras financeiras

Mantidos por contribuições dos próprios servidores e dos governos, fundos previdenciários de estados e municípios são entidades criadas para administrar o dinheiro que pagará aposentadorias e pensões dos servidores efetivos.

Os recursos são aplicados no mercado financeiro, seguindo regras do Conselho Monetário Nacional e fiscalização do Ministério da Previdência.

De acordo com o governo federal, 21 regimes de previdência próprios de estados e municípios investiram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024.

O maior investimento foi realizado pelo fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro – foram R$ 970 milhões.

Em seguida vêm os investimentos realizados pelos servidores do estado do Amapá, com R$ 400 milhões, de Maceió (AL), com R$ 97 milhões, São Roque (SP), com R$ 93,1 milhões, e Cajamar (SP), com R$ 87 milhões.

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Desde o início das investigações sobre o caso Master, a Polícia Federal realizou pelo menos oito operações que tiveram como alvo investimentos desses fundos em letras do Master.

Foram alvo de operações os investimentos feitos no estado do Rio de Janeiro (8ª fase da Compliance Zero), Macapá (Zona Cinzenta), Maceió (Compliance 82) e Cajamar (Operação Off-Balance), entre outros

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