Vorcaro troca de advogado para delatar autoridades e cúmplices no escândalo do Master

 Em eventual acordo, Vorcaro terá de contar tudo sobre autoridades enroladas, incluindo ministros do STF

José Luis de Oliveira Lima, o "Juca", especializado em acordos de delação - Foto: Rosinei Coutinho/STF.

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, “entregou os pontos” após a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela manutenção de sua prisão preventiva no presídio federal de segurança máxima, no complexo penitenciário da Papuda, e resolveu trocar de advogado para negociar acordo de delação premiada.

Vorcaro demitiu o criminalista Pierpaolo Bottini, que jé contrário de negociações de colaboração premiada, e contratou José Luis Oliveira Lima, o “Juca”, do escritório Oliveira Lima & Dall’Acqua, especialista nesse tipo de acordo.

Esse movimentou gerou expectativas em Brasília de que, para validar sua delação, ela terá de faxer revelações que envolvam autoridades como ministros de Estado, por exemplo. A maior expectativa é que o banqueiro cinte detalhes de suas relações com os ministros do STF Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. 

Foi “Juca” quem conduziu delações premiadas famosas, como a do empresário Leo Pinheiro, ex-presidente da OAS preso na Operação a Lava Jato, e ficou conhecido antes disso ao atuar na defesa do ex-ministro José Dirceu no processo do mensalão, primeiro grande escândalo de corrupção na era liderada por Lula (PT).

O criminalista também já atuava em processos envolvendo o Banco Master antes da liquidação pelo BC, em novembro. A movimentação ganha contornos mais urgentes após a Segunda Turma do STF formar maioria nesta sexta-feira, com placar de 3 a 0, para manter Vorcaro preso preventivamente na Penitenciária Federal de Brasília.

O cerco apertou. Além das acusações de fraudes no sistema financeiro, a Polícia Federal encontrou no celular de Vorcaro mensagens que indicam a manutenção de uma estrutura privada de intimidação, com menções a ameaças contra o jornalista Lauro Jardim. Um dos presos na operação, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, morreu na carceragem da PF. Com a prisão mantida, o cunhado Fabiano Zettel também detido e as investigações avançando sobre conexões com o Centrão, a delação pode ser o único caminho para Vorcaro tentar reduzir o tamanho do estrago.

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