Justiça vê indícios de desvio bilionário do Master antes de liquidação

 Decisão da Justiça de SP cita transferência de R$ 285 milhões para fundo e compra de mansão de R$ 36 milhões com dinheiro do Banco Master

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Daniel Vorcaro
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Justiça de São Paulo viu indícios de desvios bilionários do patrimônio do Banco Master para fundos e bens de luxo ligados a Daniel Vorcaro às vésperas da liquidação da instituição pelo Banco Central (BC), em novembro do ano passado, e determinou uma série de medidas com o objetivo de evitar a alienação desses itens a terceiros em meio ao escândalo. 

O pedido foi feito pelo liquidante do Banco Master contra uma série de empresas e fundos ligados ao núcleo do banqueiro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal (PF) como operador financeiro de Vorcaro — ambos estão presos. O pedido aponta “para a existência de um esquema de esvaziamento patrimonial supostamente arquitetado pelo ex-controlador [Vorcaro]”. 

A 3ª Vara de Falências de São Paulo determinou, de maneira cautelar, o registro de um protesto contra a alienação de bens em diferentes frentes para dar publicidade à disputa e alertar terceiros que possam se interessar em adquitir os bens ligados ao Master. A medida inclui a anotação do protesto nas juntas comerciais de São Paulo e Minas Gerais, atingindo participações societárias, e nos cartórios de imóveis do Distrito Federal, São Paulo e Belo Horizonte, em relação a propriedades listadas no processo.

Um dos casos citados são repasses sem aparente justificativa do Fundo Máxima 2, controlado pelo Master, para o Fundo Astralo 95, totalizando R$ 285 milhões, às vésperas da liquidação. A peça também cita o trânsito de valores e a aquisição de bens de luxo como uma mansão avaliada em R$ 36 milhões e apartamentos de alto padrão formalmente registrados em nome das sociedades alvo da petição, mas supostamente vinculados e usufruídos pelo ex-controlador da instituição financeira liquidanda.

A ação mira um conjunto de fundos de investimento, empresas e pessoas físicas apontados como possíveis destinatários ou intermediários dos recursos sob suspeita. 

Entre os alvos estão três fundos (Astralo 95, Termopilas e Galo Forte), além de empresas de participações e investimentos, como Super Empreendimentos, Pipe Participações e Moriah Asset. Também são citados um empresário e duas pessoas físicas ligadas ao caso, que, segundo a ação, podem ter atuado direta ou indiretamente nas operações investigadas.

“Alega-se que os requeridos teriam sido utilizados como pessoas interpostas e veículos – notadamente por meio de fundos de investimento administrados por terceiros – para canalizar e ocultar patrimônio oriundo de fraudes financeiras e operações atípicas”, diz o pedido. Segundo a peça, o ex-controlador do Master “auferiu ganhos de capital exorbitantes em transações cruzadas”. 

Liquidação do Master e prisões de Vorcaro

  • O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, em meio a uma crise de liquidez e ao escândalo de fraude envolvendo a compra da instituição de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB).
  • Estima-se que o rombo deixado pelo Banco Master a investidores seja superior a R$ 50 bilhões. Parte dessa conta recaiu sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que pagou investidores que tinham até R$ 250 mil aplicados no Master.
  • Junto com a liquidação do Master, a Polícia Federal deflagoru a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, por suspeita de crimes financeiros.
  • Vorcaro ficou 11 dias preso em São Paulo e foi libertado pela Justiça mediante uso de tornozeleira eletrônica.
  • Em março deste ano, Vorcaro foi preso preventivamente de novo, na terceira fase da Operação Compliance Zero, por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução de Justiça.

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