Transparência critica ‘autoritarismo estarrecedor’ de Moraes

 Ministro do STF intimou líder sindical que denunciou abuso de poder contra auditores da Receita

Ministro Alexandre de Moraes intimou presidente da Unafisco, Kleber Cabral, após crítica ao cerco do STF a auditores da Receita Federal. (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A Transparência Internacional criticou, na noite desta quinta-feira (19), o que classificou como gesto de “autoritarismo estarrecedor” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, na determinação para que a Polícia Federal interrogue o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Kleber Cabral.

Para a ONG, a decisão de Moraes evidencia o “declínio democrático brasileiro”, por que seria motivada por críticas do líder sindical ao fato de o ministro ter ordenado a operação contra servidores da Receita suspeitos de vazar dados fiscais envolvendo ministros da cúpula da Justiça do Brasil e seus familiares.

A reação da Transparência Internacional ainda considera que a fala de Kleber Cabral defendeu os auditores fiscais de “evidente abuso de autoridade” do ministro Alexandre de Moraes. E considerou o depoimento do presidente da Unafisco, marcado para esta sexta-feira (20), como um ato de “intimidação” vindo de um juiz constitucional. 

“Um presidente de sindicato é alvo de intimidação por parte de um juiz constitucional, por defender servidores (culpados ou não) vítimas de evidente abuso de autoridade. É cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF e o declínio democrático brasileiro”, afirmou a Transparência Internacional.

Ministros Alexandre de Moraes (STF) e Dias Toffoli (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

Reação ao caso Master

Moraes determinou a operação por iniciativa própria, no âmbito do inquérito das Fake News, também conhecido como inquérito do fim do mundo, por ter sido aberto em 2019 para apurar ataques a ministros do STF e jamais ter sido concluído.

A decisão aconteceu no contexto das informações vazadas sobre negócios ligados ao Banco Master que envolveram nomes de ministros do STF, a exemplo do contrato de R$ 129 milhões da esposa de Moraes e do pagamento de R$ 35 milhões à empresa do ministro Dias Toffoli. Dados que foram expostos no âmbito da investigação de fraudes de R$ 12 bilhões do banco liquidado em novembro do ano passado, alvo da Operação Compliance Zero. Em plena Terça-Feira de Carnaval (17), o ministro mandou e a PF cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra os servidores da Receita Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ruth Machado dos Santos e Ricardo Mansano de Moraes.

Também por ordem de Moraes, foram cumpridas medidas cautelares de monitoramento por tornozeleira eletrônica, afastamento do exercício de função pública, cancelamento de passaportes e a proibição de saída do país. Os investigados também foram proibidos de acessar sistemas do Fisco, de entrar nas dependências do Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) e da Receita Federal.

Toffoli conduzia as ordens judiciais do caso Master, mas deixou a relatoria do caso na semana passada, pressionado por acusações suspeição e de interferir na investigação. O novo relator é o ministro André Mendonça.

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