O cenário eleitoral para o Senado no Distrito Federal apresenta um paradoxo estratégico para a direita. Embora o campo conservador detenha um capital político expressivo na capital, o lançamento de três candidaturas de peso pode fragmentar o eleitorado e comprometer o objetivo de conquistar as duas vagas disponíveis. Com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro apresentando um favoritismo consolidado e uma eleição considerada praticamente garantida pelas principais análises, a verdadeira disputa se desloca para a ocupação da segunda cadeira.
A pulverização de votos entre nomes de forte apelo popular conservador, como Bia Kicis e Sebastião Coelho, cria um risco real de "efeito reverso". Ao dividirem a mesma base de apoio, ambos podem acabar reduzindo suas respectivas margens de votação a um patamar que permita a ascensão de um adversário de esquerda ou de centro, que se beneficiaria de um voto mais coeso e concentrado. Nesse contexto, a tranquilidade de Michelle contrasta com a necessidade urgente de uma engenharia política mais refinada entre os demais aliados.
Para assegurar a hegemonia conservadora no DF, a unificação em torno de uma única pré-candidatura além de Michelle Bolsonaro parece ser o caminho mais pragmático. Se os grupos liderados pela deputada federal e pelo desembargador aposentado não chegarem a um consenso para transformar dois projetos em um, o movimento corre o risco de entregar a segunda vaga "de bandeja" à oposição. A sobrevivência do projeto político da direita conservadora no Senado depende, portanto, da capacidade de sacrificar aspirações individuais em favor de uma vitória estratégica coletiva.
Na briga pelo Senado Federal estão; Ibaneis Rocha, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Leila Barros, Erika Kokay, Sebastião Coelho e Dr. Vicenzo.
Redação

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